quinta-feira, 13 de outubro de 2011
sábado, 8 de outubro de 2011
ZECAiPIRA
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
Capital? Ismos?!
Oi! Sou pré-moderno e pós-pago.
Estou vivo é claro, e sem fronteira?!
Consumo... E como sumo.
Mecânico orgânico, trabalho alternativo.
Rede sustentável da tarrafa social.
Do ócio criativo, escrevo.
Escravo do descanso ético?!... Canso!
Tempo ativo... Relativo. Trabalha dor
Profético?! Patético? Estético! Poético.
ZECAiPIRA
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
Lorota
Não sei se me exponho ou resisto.
Parece mentira de tão esquisito.
Comer queijo com pão de cevada
Se entalar estará execrada.
Porque é mais forte quem sabe mentir?
Mascar pó de arroz e depois cuspir.
Mentir pode ser arriscado,
Ninguém gosta de ser enganado.
Minha grafia simula e mente.
Mas, engano-me que eu gosto.
Arte de dissimular claramente.
Uma longa ficha corrida.
A verdade é o oposto,
Da mentira poética oferecida.
ZECAiPIRA
domingo, 28 de agosto de 2011
Arterizar na TV Floripa e Raul Machado no blog
- Dois integrantes do Coletivo Arterizar (Caio Marques e Zecaipira) foram entrevistados no programa "Balaio" da TV Floripa neste sábado 27/08!
Assista, na íntegra, aqui: http://www.youtube.com/watch?v
- Raul Machado, também integrante do Arterizar, está se mudando para Montevidéu e por isso se distanciará um pouco do coletivo.
Vocês podem acompanhar os trabalhos dele pelo blog pessoal: http://raulmachado.blogspot.com/
Há-Braços! Até mais!
Artério Arteiro
- http://www.twitter.com/ArterioArteiro
sexta-feira, 8 de julho de 2011
Conto e Poesias, de Raul Machado

O Menino
-Olhe isto aqui!
E ele tapava os seus olhos negros com a mão. Pequena mão que lhe cobria o pequeno e magro rosto. Rosto tão claro quanto eram negros seus olhos. Ele não queria ver. Queria a escuridão, toda ela, dos redondos dos seus olhos tristes.
Ele, que tão bem conseguia enxergar. Já havia visto tanto o laranja da pitanga. E agora não queria ver mais aqui fora. Só ali dentro. De sua mão.
É como se todo o universo, com suas estrelas faiscando, coubesse na sua mão de criança. E, fechadinho na sua palma, coubesse no seu olho. Entrando ali, pelo cantinho. Pelo branco do rosto. E era tudo tão escuro quanto sombras. E cabia tanto ali.
-Olhe aqui, meu filho. Veja só. Quanto tudo!
Ele corria, sozinho, para seu quarto. Gostava de desligar as luzes e fechar as cortinas. Brincar de fazer noite em plena tarde de verão, onde o sol é rei. Fingia estar nas últimas horas do dia, enquanto todos lá fora eram tão sérios quanto os ponteiros em 15:45.
Roubava do armário um sobretudo do pai. Imaginava-se fumando e tomando café com uísque, como fazia seu avô. Antes de dormir. E fechava os olhos, virando-os para si mesmo, como se pudesse enxergar um ovo brotando em sua barriga, escorrendo aquele amarelo tão vivo por entre as suas vísceras, explodindo omelete nos pulmões, saindo passarinho pela boca. Voando. Apitando.
Ahhhhhhhhhhhhhh. E ninguém o ouviu.
Ele era sombra. Sombra de gente. Diziam os mais prestigiados especialistas em prêmios televisivos.
Ele se fechou. Como fazia com sua mão. Gritou pra dentro. Dentro daquele mundo tão gordo que havia criado em seus olhos.
Forçou, levemente, o dedo no globo ocular.
Forçou mais um pouco.
Na gana de entrar em seu próprio berço. Na própria buceta, parida por ele mesmo entre enxaquecas e solidões. Enfiou. Enfiou-se.
Um pingo ecoou no sótão daquela casa velha de madeira. Os pais abaixo, no andar principal, comiam olhos de cabra ao molho francês. Quando não se sabe o nome de molhos, dize-se que é francês.
Ninguém o ouviu. O grito já não se expelia. Impelia-se. O dedo, junto ao globo todo, inclusive ocular, ferido, sangrava dentro da cavidade craniana do menino.
-Olhe aqui! Veja ali! Abra os olhos, meu filho!
E ele resolveu, mais uma vez, colocar sob o buraco que lhe adentrava a cabeça e que se enchia de sangue, a sua mão. A sua pequena e pura mão.
E pela última vez o universo inteiro abriu-se à sua frente.
Cego, agora, usava óculos escuros e já não sabia mais o que era fingir. Nem fazer poesia.
Invernos e Solidões
Refúgio
É um cinza
Que pinga na madeira
Cheiro de mato
Que o vento gelado trás
É um calor vermelho
Entre silêncios de carinhos
Cafés
E cobertores
Desejos do Dormir
Só irei ao meu quarto
Quando ele virar lua
E no escuro me despir
Tomaremos aquela taça
E aquele barco
Sujando-nos de sangue e sonhos
Para gozarmos ao fim
De mais um filme:
-Longo.