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quinta-feira, 13 de outubro de 2011


Prêmio Arte e Cultura Inclusiva 2011

MinC recebe até 30 de outubro inscrições no edital que pagará R$ 300 mil em prêmios
O Ministério da Cultura prorrogou para 30 de outubro as inscrições para o prêmio Arte e Cultura Inclusiva 2011 – Edição Albertina Brasil. O edital está aberto a iniciativas culturais desenvolvidas em todo o país que tenham propiciado a participação de artistas com deficiência na produção e difusão artística e cultural, assim como ações, projetos e produtos culturais que possibilitaram acesso e acessibilidade a pessoas com deficiência.
Podem participar grupos informais e instituições nas categorias Expressão Artística ou Acessibilidade. Serão premiadas, respectivamente, 20 e 10 iniciativas de destaque em cada categoria. Cada premiado receberá R$ 12,5 mil, totalizando mais de R$ 300 mil reais em prêmios. Esta é uma iniciativa do Ministério da Cultura e da Escola Brasil com patrocínio da Petrobras.
Maiores informações: premioalbertinabrasil@escolabrasil.org.br e/ou (61) 3202-1721


LIBIDO POÉTICA

Sou escravo sexual
Dessa cortesã poesia
Escrita de pernas abertas.

Orgasmos da linguagem,
Expressas em beijos,
Masturbadas em versos.

Leves toques da grafia,
De palavras despidas...
Eternas paixões sentidas.

ZECAiPIRA

sábado, 8 de outubro de 2011

Fim. Eterno começo.


Gosto dos malditos porque malditos sejam!
Tudo que digo não passa de eufemismo.
Não serei mais a pessoa que esperam.
A minha alegria e meu lamento não têm planos,
Eufemismo de ninguém é isso que sou.
Sujeito passivo que tudo diz:
- Sei das coisas sem saber de nada!
Ah, desgraça humana! Esfomeada de coração e de mente.
Ah, graça humana! A morte nos sorri.
Nossos corpos são instrumentos da tragédia,
 A promessa que a vida cumpre.
Se não encontramos algo para morrer não servimos para viver.
Ah, raça humana! Como encarar a verdade?
Eu não posso salvar se careço ser salvo.
Minha vida brinca com minha morte, sou livre!
Fui transformado, dormi miserável e acordei artista.


                                                             ZECAiPIRA

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Capital? Ismos?!


Oi! Sou pré-moderno e pós-pago.

Estou vivo é claro, e sem fronteira?!

Consumo... E como sumo.


Mecânico orgânico, trabalho alternativo.

Rede sustentável da tarrafa social.

Do ócio criativo, escrevo.


Escravo do descanso ético?!... Canso!

Tempo ativo... Relativo. Trabalha dor

Profético?! Patético? Estético! Poético.


ZECAiPIRA

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Lorota


Não sei se me exponho ou resisto.

Parece mentira de tão esquisito.

Comer queijo com pão de cevada

Se entalar estará execrada.


Porque é mais forte quem sabe mentir?

Mascar pó de arroz e depois cuspir.

Mentir pode ser arriscado,

Ninguém gosta de ser enganado.


Minha grafia simula e mente.

Mas, engano-me que eu gosto.

Arte de dissimular claramente.


Uma longa ficha corrida.

A verdade é o oposto,

Da mentira poética oferecida.

ZECAiPIRA

domingo, 28 de agosto de 2011

Arterizar na TV Floripa e Raul Machado no blog


- Dois integrantes do Coletivo Arterizar (Caio Marques e Zecaipira) foram entrevistados no programa "Balaio" da TV Floripa neste sábado 27/08!
Assista, na íntegra, aqui:
http://www.youtube.com/watch?v=qrp3Novty_8&feature=share


- Raul Machado, também integrante do Arterizar, está se mudando para Montevidéu e por isso se distanciará um pouco do coletivo.
Vocês podem acompanhar os trabalhos dele pelo blog pessoal: http://raulmachado.blogspot.com/

Há-Braços! Até mais!
Artério Arteiro
- http://www.twitter.com/ArterioArteiro





sexta-feira, 8 de julho de 2011

Conto e Poesias, de Raul Machado


O Menino

-Olhe isto aqui!

E ele tapava os seus olhos negros com a mão. Pequena mão que lhe cobria o pequeno e magro rosto. Rosto tão claro quanto eram negros seus olhos. Ele não queria ver. Queria a escuridão, toda ela, dos redondos dos seus olhos tristes.

Ele, que tão bem conseguia enxergar. Já havia visto tanto o laranja da pitanga. E agora não queria ver mais aqui fora. Só ali dentro. De sua mão.

É como se todo o universo, com suas estrelas faiscando, coubesse na sua mão de criança. E, fechadinho na sua palma, coubesse no seu olho. Entrando ali, pelo cantinho. Pelo branco do rosto. E era tudo tão escuro quanto sombras. E cabia tanto ali.

-Olhe aqui, meu filho. Veja só. Quanto tudo!

Ele corria, sozinho, para seu quarto. Gostava de desligar as luzes e fechar as cortinas. Brincar de fazer noite em plena tarde de verão, onde o sol é rei. Fingia estar nas últimas horas do dia, enquanto todos lá fora eram tão sérios quanto os ponteiros em 15:45.

Roubava do armário um sobretudo do pai. Imaginava-se fumando e tomando café com uísque, como fazia seu avô. Antes de dormir. E fechava os olhos, virando-os para si mesmo, como se pudesse enxergar um ovo brotando em sua barriga, escorrendo aquele amarelo tão vivo por entre as suas vísceras, explodindo omelete nos pulmões, saindo passarinho pela boca. Voando. Apitando.

Ahhhhhhhhhhhhhh. E ninguém o ouviu.

Ele era sombra. Sombra de gente. Diziam os mais prestigiados especialistas em prêmios televisivos.

Ele se fechou. Como fazia com sua mão. Gritou pra dentro. Dentro daquele mundo tão gordo que havia criado em seus olhos.

Forçou, levemente, o dedo no globo ocular.

Forçou mais um pouco.

Na gana de entrar em seu próprio berço. Na própria buceta, parida por ele mesmo entre enxaquecas e solidões. Enfiou. Enfiou-se.

Um pingo ecoou no sótão daquela casa velha de madeira. Os pais abaixo, no andar principal, comiam olhos de cabra ao molho francês. Quando não se sabe o nome de molhos, dize-se que é francês.

Ninguém o ouviu. O grito já não se expelia. Impelia-se. O dedo, junto ao globo todo, inclusive ocular, ferido, sangrava dentro da cavidade craniana do menino.

-Olhe aqui! Veja ali! Abra os olhos, meu filho!

E ele resolveu, mais uma vez, colocar sob o buraco que lhe adentrava a cabeça e que se enchia de sangue, a sua mão. A sua pequena e pura mão.

E pela última vez o universo inteiro abriu-se à sua frente.

Cego, agora, usava óculos escuros e já não sabia mais o que era fingir. Nem fazer poesia.


Invernos e Solidões

Refúgio

É um cinza

Que pinga na madeira


Cheiro de mato

Que o vento gelado trás

É um calor vermelho

Entre silêncios de carinhos

Cafés

E cobertores


Desejos do Dormir

Só irei ao meu quarto

Quando ele virar lua

E no escuro me despir


Tomaremos aquela taça

E aquele barco

Sujando-nos de sangue e sonhos

Para gozarmos ao fim

De mais um filme:

-Longo.