
"Maravilha sem par
a televisão
só falta não falar"
Millôr Fernandes
*Desenho de Natália Pelosi
O museu estava fechado devido às obras de revitalização do Centro Integrado de Cultura (CIC). A visitação é de terça a sexta-feira, das 10h às 20h; e sábados, domingos e feriados, das 11h às 17h
{ FAM 2011 }
- Florianópolis Audiovisual Mercosul - 15 anosQuando: terça-feira, às 19h. Quinzenalmente, às quartas-feiras, até 23 de setembro
Onde: Sala de Exposições Temporárias do Museu Victor Meirelles (Rua Victor
Meirelles, 59, Centro, Florianópolis)
Quanto: gratuito
A Cura
Compulsão. Compulsão. Compulsão.
Vício. Vício. Vício. Vício. Vício.
SaudadesAbstinênciaTesãoAnsiedade.
O Olho do Céu
Concentrado em coisas pequenas
Pormenores menores
Virtuais conluios
E papéis mudos
Que enchem as mesas
Viro-me e flagro:
A lua me espia pela janela do quarto.
Pessoal
Essa é a história de Guadalupe. Uma mulher de trinta anos, casacos marrons, cabelo enrolado, cheiro de cigarro, alcoólatra e apaixonada. Sua paixão não é correspondida, nem através de correspondências. Guadalupe sempre chora antes de dormir e quase engasga com o uísque que ela teima em passar garganta abaixo.
Seus sonhos são sempre eróticos. Sexo. De tanto não fazer aqui, ela se farta de fazer lá. Sempre com o seu homem não correspondente. E às vezes com outras mulheres, mas só quando ela bebe demais.
Morar sozinha é bom para Guadalupe. Ela pode deixar as cinzas do cigarro caírem no tapete da sala. Pena que a janela do quarto está virada para o quarto de outra janela. Ela fecha a cortina e se esconde. E se masturba. Com a garrafa de rum.
Geme.
O vizinho sempre bate com a vassoura no teto dele, que é o chão dela, quando Guadalupe se põe a dançar no meio do vento da madrugada. Culpa do gim, ela grita. Culpa de mim. E para. Da culpa faz desculpa. Não que a culpa não permaneça lá. Mas ela vai dormir para poder transar, enquanto seu vizinho transa para conseguir dormir. Ele, lá embaixo, muito distraído, não consegue manter a ereção se lá em cima o calcanhar de Guadalupe teima em bater na lajota. Tunts. Tunts.
Aliás, o nome dele é Bonaparte. Boa parte por ser francês, outra por sua mãe ser uma chata.
Mas essa história é de Guadalupe. E sua falta de perspectiva. Mesmo usando seus óculos vintage. Ela não sabe desenhar, por isso nunca mandou desenhos para o homem que tanto deseja e sente falta. Senão desenharia e talvez mandasse. Mas ela escreve. E escreveu um livro inteiro regado a vinho. Uma ode ao amor. Mesmo platônico. Mesmo sem ler Platão. Cento e vinte e três páginas dedicadas ao amor. Não à Platão ou à qualquer outro grego. Aliás, sua paixão é latina.
Ela passou perfume. Na carta e no livro. E no envelope. E entregou-o à mulher dos correios, que espirrou.
Após três meses, uma correspondência. Seria do seu amor não correspondido? Teria ele respondido?
Não.
Era uma editora querendo publicar o impublicável.
Guadalupe rasgou sua história, juntou os pedaços e os colocou numa lata vazia no meio do chão da sala. Álcool. Na lata e na cabeça. Fogo. Que aqueceu Guadalupe naquela noite que chorava a solidão.
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[ Avisos e Divulgações do Arterizar ]
-Duo de Cordas: Com Caio Marques (violão), Francielly Beckert (violino) e participação especial de Zecaipira. No programa: Piazzolla, Villa-Lobos, Bach, etc. Onde: Santuário Nossa Sra. da Conceição, Lagoa. Quando: 29/06 às 20h e 02/07 às 19:30. Entrada Gratuita.
-Concurso Arterizar de Desenhos: Envie seu desenho para nosso email ( coletivoarterizar@yahoo.com.br ) em preto e branco, até 03/07. O vencedor terá seu trabalho publicado aqui no blog e no Zine Arterizar #5, com uma receita de lambe-lambe atrás pra galera colar seu desenho pela cidade!
- Zine Arterizar #4: Prontinho! Essa semana tiraremos as cópias e distribuiremos por aí.